02.01.02.04- Jâmblico

A Era da Verdade
24 de novembro de 2018 Pamam

Jâmblico encarnou em Cálcis, no ano de 250, tendo desencarnado no ano 330, aos oitenta anos de idade, não se sabe aonde. Nada se sabe acerca da sua infância e juventude. Sendo um espírito investigador, ele começou as suas atividades veritológicas através dos estudos da magia dos caldeus.

Antigamente a magia era denominada pelos magos de A Grande Ciência Sagrada, sendo ela uma forma de ocultismo que pretendia estudar os segredos da natureza e a sua relação com o homem, e em sendo ligada ao ocultismo, a magia obviamente se encontra ligada também diretamente ao astral inferior, em que através dessa relação negativa se absorve um conjunto de teorias e práticas que visam o desenvolvimento das faculdades espirituais e ocultas do homem, até que os espíritos obsessores obtenham um domínio completo sobre os seus praticantes, mas que estes praticantes consideram a obtenção de um domínio completo sobre si mesmo e sobre a natureza. Daí a razão pela qual a magia tem características ritualísticas e cerimoniais, que visam entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e de alguma divindade. Assim, afirma-se que por meio de rituais, feitiços, orações e invocações, torna-se possível fazer com que as forças ocultas — os espíritos obsessores — atuem sobre o ambiente fluídico, como, por exemplo, modificando a vontade, as ações ou o destino das pessoas. E como as ciências ignoram completamente a espiritualidade, tanto a baixa como a alta, a magia é considerada como sendo irracional pelos seus integrantes.

Jâmblico já era um espírito vivido e relativamente culto quando ouviu pela primeira vez as palestras de Anatólio, que era um discípulo de Porfírio. Os ensinamentos neoplatônicos calaram tão fundo na sua alma, preenchendo os seus anseios veritológicos, que ele resolveu viajar para Roma, a fim de estudar diretamente com o próprio Porfírio. Após os seus estudos com Porfírio, ele resolveu voltar para a Síria, ao que tudo indica para Cálcis, onde lá estabeleceu uma escola, formando discípulos que se dedicaram aos estudos dos sentimentos pitagóricos, os quais expuseram a teurgia espiritual de Jâmblico.

Em sua escola, Jâmblico transmitiu os ensinamentos dos seus predecessores neoplatônicos, adotando um sentimento mais refinado à sua doutrina e a estendendo para assuntos que até então haviam sido omitidos. Ao absorver os ensinamentos espiritualistas de Pitágoras e Platão, notadamente em relação aos destinos dos seres humanos, Jâmblico se aprofundou nos estudos da natureza e das propriedades da alma, que deveriam ser contempladas por intermédio da consciência.

De Platão ele absorveu uma ética mais apurada, passando a perceber que a vidas das pessoas deveriam ser ordenadas em relação aos seus semelhantes, assim como também em relação ao ambiente social, estendendo-se ao Universo como um todo, assim como que querendo afirmar que a vida é eterna e universal. Assim, ele passou a formar o seu pensamento em relação à ética, em que esta deveria ser formada por princípios universais.

Não é assim tão fácil penetrar na vida das grandes mentalidades, pois foi somente por ter estudado a magia dos caldeus que Jâmblico pôde conhecer com mais profundidade os poderes da alma humana, tanto em relação com as Forças Superiores como em relação com as forças inferiores. E isso iria requerer a teurgia.

A palavra teurgia é proveniente do grego theos, que significa deuses, e ergon, que significa obra, assumindo, portanto, o significado de obra divina, ou mesmo de Obra de Deus. De fato, Deus somente age por intermédio das suas partículas, que no caso em questão são os espíritos que se encontram no Astral Superior, daí a razão pela qual os estudiosos consideram a palavra teurgia como sendo a obra dos deuses, sendo utilizada em contraste com a Teologia, através da qual um suposto deus age diretamente, ou que meramente discutia sobre os deuses, no caso em questão os espíritos obsessores quedados no astral inferior. Daí a razão pela qual surge a teoria de Plotino, que era a mais pura contemplação veritológica e intuitiva por ele promovida.

Mas como os estudiosos são completamente ignorantes acerca da vida espiritual, eles passam a confundir a teurgia com uma forma de magia ritual, cerimonialista, com o objetivo de incorporar a força divina em um objeto material, como, por exemplo, uma estátua, ou mesmo no ser humano, através da produção de um estado de transe visionário, que assim busca a perfeita comunhão com Deus, obtida através de técnicas cerimonialistas como rituais, preces, exercícios e estudos.

Na realidade, a teurgia não possui nada de magia, e muito menos de transe visionário, obtido através de técnicas cerimonialistas, como rituais, preces e exercícios do gênero, possui sim, os estudos, caracterizando-se como sendo os rudimentos das vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas a Deus e ao Astral Superior, com a finalidade de se limpar tanto o corpo fluídico como o meio ambiente, com vistas a uma maior interação com os espíritos de luz, daí a razão da busca com a perfeita comunhão com Deus.

E assim se explica a razão pela qual os estudiosos consideram, em relação a Jâmblico, que da maneira como a conduta pode ser mal direcionada, quando baseada em princípios ambíguos, ou inconsistentes, as operações teúrgicas podem ser perigosas quando conduzidas de modo inadequado, ou seja, quando direcionadas diretamente ao astral inferior. De modo inverso, a purificação da alma, fazendo sobressair a consciência, torna-se um pré-requisito para a atividade filosófica, no caso veritológica, através da evolução autoconsciente da alma, que assim é conduzida ao conhecimento preciso.

Foi assim que, mudando-se para a Síria, Jâmblico deu início à propagação das suas ideias sobre a Veritologia, aprimorando as ideias de Plotino através da teurgia, ou pela ligação direta com o Astral Superior, fundando e orientando a escola neoplatônica siríaca, mas que os estudiosos consideram como sendo uma teologia politeísta, no que estão completamente equivocados.

As suas obras seriam compostas originalmente de dez livros intitulados de Resumo das Doutrinas Pitagóricas, dos quais somente cinco se encontram preservados atualmente. Os seus escritos que se referem ao âmbito metafísico foram todos perdidos, mas as suas ideias se tornaram conhecidas, pois foram preservadas por intermédio de citações e comentários em escritos de diversos autores, ao que se denomina de doxografia.

Jâmblico foi caluniado pela Igreja, que o considerava como sendo um instrutor das superstições pagãs, tendo sido esquecido pela tradição filosófica, que assim considerava os três tratados superiores como sendo unicamente Filosofia, pelo fato dos seus estudiosos ignorarem completamente o significado espiritual da teurgia. Mas Proclo e outros o consideraram como sendo divino, enquanto o imperador Juliano escreveu que ele era portador de uma mente superior igual à de Platão.

Em seus rudimentos relativos às vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, que lhe proporcionaram uma vida disciplinada, tudo isso serviu para a elaboração de uma mensagem simples para a nossa humanidade, em que os deuses devem ser considerados como sendo os espíritos de luz que integram o Astral Superior, assim:

O contínuo exercício da prece cultiva o vigor do nosso intelecto e torna os receptáculos da alma muito mais capazes para as comunicações com os deuses. Igualmente é a chave divina que abre aos homens a porta para os deuses e nos acostuma aos esplêndidos rios da luz suprema. Em um curto período ela aperfeiçoa os nossos recessos mais íntimos, e os dispõe para o abraço inefável e o contato com os deuses, e não desiste até que nos leva ao topo de tudo”.

 

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