02.01.02.03- Porfírio

A Era da Verdade
23 de novembro de 2018 Pamam

Porfírio encarnou em Tiro, na Fenícia, o atual Líbano, que fazia parte do Império Romano, no ano 234, tendo desencarnado entre 304 e 309, provavelmente em 305, em Roma. O seu verdadeiro nome era Malco, que em hebraico significa conselheiro, e que em grego tem o significado de rei, mas Cássio Longino sugeriu a ele o nome de Porfírio, que significa púrpura, como que em referência tanto ao seu nome como às suas origens em Tiro.

Ele foi um veritólogo neoplatônico, sendo mais conhecido pela elaboração da biografia de Plotino e a sua grande importância na edição da obra intitulada de As Enéadas, que se refere aos escritos de Plotino, tendo ainda ajudado a difundir o Neoplatonismo por todo o Império Romano. Os seus comentários sobre a obra intitulada de Categorias, escrita por Aristóteles, sob o título de Introdução na Categoria, foram traduzidos para o latim por Boécio com o título de Isagoge, que possui o significado de introdução, tendo exercido uma grande influência na lógica e na discussão sobre o problema dos universais.

Por problema dos universais, os historiadores da Filosofia, os quais ignoram completamente os três tratados superiores, entendem ser a questão de saber se os universais são coisas ou simplesmente palavras, em que essa questão divide os veritólogos e os saperólogos, mas considerados como sendo filósofos, em realistas, como Platão, que considera todas as espécies como sendo coisas, inclusive os seres humanos, e em nominalistas, em que o termo espécie não passa de uma palavra. Já o universal é considerado como sendo algo que é partilhado por objetos particulares diferentes, como, por exemplo, a circularidade é um universal que todas as coisas que são circulares compartilham, em que assim os objetos circulares instanciam a esse universal.

Os relatos acerca da sua vida são escassos, e o pouco que se sabe ao seu respeito é extraído do seu relato sobre Plotino, em sua obra intitulada de A Vida de Plotino. Quando ainda jovem, estudou em Atenas, onde absorveu o platonismo de Cássio Longino. A seguir, partiu para Roma, para estudar com Plotino, período de 263 a 268, em que lá se converteu na versão platônica do seu mestre. Esses seus dois mestres foram seguidores das ideias de Amônio Sacas, de Alexandria. Sabe-se que ele se casou mais tarde com uma mulher que era mais velha do que ele, a quem escreveu a obra intitulada de Carta a Marcela.

Embora fosse um veritólogo, Porfírio se deixou obsedar pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, sendo acometido de uma grave depressão, talvez em função do ambiente fluídico em que vivia, ocasião em que Plotino o aconselhou a mudar de ambiente, cujo conselho foi devidamente seguido, quando então ele saiu de Roma e foi para a Sicília, em 268, a fim de se ver livre da depressão que o acometia, onde lá viveu por vários anos. As suas obras mais famosas foram escritas na Sicília, como a obra Contra os Cristãos, da qual sobreviveram apenas alguns fragmentos, o que comprova claramente que esse cristianismo posto é totalmente falso. Por fim Porfírio retorna para Roma, onde ficou por algum tempo à frente da escola neoplatônica, após a desencarnação de Plotino.

Em seus comentários contidos na obra intitulada de Introdução na Categoria, traduzida para o latim por Boécio com o título de Isagoge, Porfírio descreve como as qualidades atribuídas às coisas podem ser classificadas, incorporando a lógica aristotélica ao Neoplatonismo. Assim, o veritólogo criou uma estrutura a que os estudiosos do assunto denominam de Árvore de Porfírio, que parte de um conceito ou de um gênero amplo e divide esse gênero amplo em outros gêneros subordinados, mutuamente excludentes e coletivamente exaustivos, por meio de um par de opostos, que são denominados de diferenças, em que o processo de divisão pelas diferenças segue até que a espécie mais baixa seja alcançada, cuja espécie não pode mais ser dividida, como se encontra no quadro abaixo.

Juntamente com Pitágoras, que também era um veritólogo, e Apolônio de Tiana, que era um defensor das ideias de Pitágoras, Porfírio foi um defensor do vegetarianismo, em que esse trio forma os vegetarianos mais famosos da Antiguidade Clássica. Sobre esse tema, Porfírio escreveu Da Abstinência do Alimento Animal e Da Inadequação da Matança de Seres Vivos Para a Alimentação, que se tornaram referências para a literatura vegetariana.

Porfírio escreveu ainda sobre a astrologia, os credos, sob a denominação de religiões, e teoria musical, e além de escrever a biografia de Plotino, foi o autor de uma biografia sobre Pitágoras, cuja biografia não deve ser confundida com o livro homônimo de Jâmblico.

 

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