02.01.02.01- Amônio Sacas

A Era da Verdade
14 de novembro de 2018 Pamam

Amônio Sacas encarnou no ano 175, em Alexandria, e desencarnou no ano 242, também em Alexandria, sendo ele um cidadão romano. Em razão da mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, esta ainda sob a denominação imprópria de Filosofia, os estudiosos do assunto o consideram como sendo um filósofo, mas, na realidade, ele era um veritólogo, como veremos no decorrer da explanação do seu sentimento voltado para a seara espiritual.

Em relação ao seu cognome Sacas, de Sakkas, afirmam os estudiosos que essa nomenclatura foi deliberadamente mal interpretada pelo bispo Teodoreto, com a finalidade de ridicularizar o veritólogo precursor do Neoplatonismo, que era altamente estimado em função do seu saber, uma vez que o termo sakkos possui o significado de saco, insinuando que ele deve ter começado como sendo um estivador ignorante no porto de Alexandria, como se isso tivesse alguma importância para aquele que possui a boa vontade em adquirir conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ou mesmo experiências físicas acerca da sabedoria, através do estudo, do sofrimento e do raciocínio, que são as três formas de se evoluir. Mas Erich Seeberg demonstrou que o seu cognome diz respeito aos Sakyas, provenientes da Índia, que era um clã dominante ao qual pertencia o próprio Gautama, o Buda. Tudo isso é corroborado pelo fato de Porfírio afirmar que Plotino, discípulo de Amônio Sacas, demonstrou um grande interesse pela veritologia indiana, manifestando a sua vontade em viajar para a Índia, influenciado pelo seu preceptor.

Pouco se sabe sobre a vida de Amônio Sacas, e aquilo que a História conseguiu registrar vem dos fragmentos de escritos deixados por Porfírio, que relatam que o seu mais famoso discípulo foi Plotino, o qual estudou com o seu mestre pelo período de onze anos, que nos conta essa relação salutar entre mestre e discípulo da seguinte maneira:

Em seu vigésimo oitavo ano de idade, Plotino sentiu o impulso de estudar Filosofia e foi recomendado para os professores em Alexandria, que detinham a mais alta reputação, mas ele saía das suas palestras tão deprimido e cheio de tristeza que contou sobre isso a um de seus amigos. O amigo, então, entendeu o desejo de seu coração e o mandou para Amônio, a quem não tinha, até agora, tentado. Ele foi e o ouviu, então disse ao seu amigo: ‘Este é o homem que eu estava procurando’. A partir daquele dia ele ficou continuamente com Amônio até completar a sua formação em Filosofia, tornando-se ansioso em conhecer a disciplina filosófica persa e a que prevalecia entre os indianos”.

De acordo com a tradição histórica, Amônio Sacas foi o precursor do Neoplatonismo em Alexandria, e embora nada tenha publicado, sabe-se da sua afirmação de que o cristianismo posto não diferia do paganismo em seus fundamentos.

Na realidade, o termo paganismo, derivado do latim paganus, que possui o significado de camponês, ou rústico, é um termo difundido que geralmente é utilizado para se referir a tradições credulárias politeístas em seu contexto histórico, quando se refere à mitologia greco-romana, que não tem nada de mitologia, pois que os deuses propiciados eram espíritos obsessores quedados no astral inferior, sendo, portanto, reais, e também quando se refere às tradições politeístas da Europa e do norte da África, antes do advento do falso cristianismo. Todas as crenças pagãs eram fundadas no sobrenatural.

Enquanto que o cristianismo posto era um credo abraâmico monoteísta, mas que não era centrado na vida e nos ensinamentos de Jesus, o Cristo, pois que os ditos cristãos não possuíam os predicados criptoscopiais e nem intelectuais para que pudessem perceber e compreender ao Nazareno, respectivamente, em que nesse monoteísmo o deus adorado era Jeová, o deus bíblico, que como os demais deuses pagãos não passava de um espírito obsessor quedado no astral inferior. Essa crença dita cristã era fundada também no sobrenatural.

Assim, como Amônio Sacas era um veritólogo, ele seguia rigorosamente a linha da racionalidade imposta pela Veritologia, por isso era avesso ao sobrenatural, embora os seus pais tenham sido considerados como se fossem cristãos, de acordo com Porfírio, mas ao tomar conhecimento dos sentimentos e dos pensamentos gregos, ele rejeitou prontamente o credo dos seus pais, ao que os estudiosos passam a considerar que ele se voltou para as bandas do paganismo, quando isto não procede, uma vez que ele considerava que o cristianismo posto não diferia do paganismo.

Hiérocles de Alexandria, em um dos seus escritos, vem afirmar que a doutrina fundamental de Amônio Sacas se baseava no fato de que Platão e Aristóteles se encontravam em pleno acordo um com o outro. Isto se explica em razão de Aristóteles haver compilado muito dos escritos dos veritólogos gregos do Período Doutrinário, formando as Escolas Pré-socráticas, que foram a Escola Jônica, a Escola Itálica ou Escola Pitagórica, a Escola Eleática e a Escola Atomista, cujos veritólogos eram avessos ao sobrenatural e procuravam a explicação para tudo na natureza, sendo todos ainda espiritualistas. E como Platão, além de ser um autêntico espiritualista, buscava sempre a razão, sendo o mestre de Aristóteles, pode-se assim perfeitamente compreender a predileção de Amônio Sacas por esse grande saperólogo.

Essa benéfica influência dos veritólogos pré-socráticos em relação a Amônio Sacas, através de Aristóteles, explica claramente a razão pela qual o precursor do Neoplatonismo, como veritólogo, adquiriu um zelo todo especial pela verdade no âmbito daquilo que ele julgava ser a Filosofia, pois que ignorava a existência da Veritologia. Foi assim que os estudiosos do assunto passaram a considerar o fato dele haver aprendido os ensinamentos de cada um dos dois saperólogos, Platão e Aristóteles, considerando um mesmo Nous e transmitindo a sua doutrina sem conflitos para todos os seus discípulos, especialmente para o seu discípulo considerado como sendo o mais familiarizado com os seus ensinamentos, que foi Plotino.

Amônio Sacas era tão espiritualizado, que de acordo com Nemésio de Emesa, um bispo considerado pelos estudiosos como sendo neoplatônico, ele considerava a alma como sendo imaterial, não se sabendo mais acerca das suas considerações sobre a alma.

Se pouco se sabe sobre o papel exercido por Amônio Sacas no desenvolvimento do Neoplatonismo, basta apenas saber que Plotino estudou com ele durante onze anos, havendo uma relação salutar entre mestre e discípulo, e que segundo Porfírio o mestre foi fundamental para que o discípulo pudesse prover a doutrina neoplatônica de novas bases.

 

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