02.01.01- A formação e o desenvolvimento do falso cristianismo – período de 1 a 451

A Era da Verdade
10 de novembro de 2018 Pamam

No capítulo 14 dos Prolegômenos, contido neste site de A Filosofia da Administração, nós vimos mais detalhadamente o que seja realmente O Falso Cristianismo, assim como também a formação da sua doutrina, e no capítulo 15 O Catolicismo de Jeová, o deus bíblico. Neste tópico nós iremos dotar os seres humanos interessados em se esclarecer como foi que se formou e se desenvolveu o credo católico, que com base na fé credulária se assenhorou do falso cristianismo.

Tudo começou com os apóstolos e os seus discípulos que espalhavam a Boa Nova em todos os recantos da região, sobretudo entre os judeus da Dispersão, de Damasco a Roma, com Felipe fazendo conversos em Samaria e em Cesareia, com João criando uma igreja bastante ativa em Éfeso e Pedro se dedicando às suas prédicas nas cidades da Síria. Há que se fazer o registro de que este último tomou uma “irmã” que levava nas suas pregações, que servia ao mesmo tempo de mulher e ajudante, assim como a maior parte dos apóstolos.

As missões dos apóstolos em Roma e na Ásia Menor serviram também para manter no falso cristianismo muitos elementos do judaísmo, sendo que através deles o novo credo herdou o monoteísmo, o falso puritanismo e a escatologia judaicos. Graças a eles e a Paulo, o Velho Testamento se tornou a única Bíblia que a falsa cristandade do século I conheceu. Até o ano 70 o falso cristianismo foi pregado, sobretudo, nas sinagogas ou entre os judeus, com a forma, a cerimônia e as vestes da adoração hebraica passando para o ritual dito cristão.

A Dispersão favoreceu o rápido desenvolvimento espacial do falso cristianismo com o constante movimento dos judeus de uma cidade para outra, assim como as suas ligações pessoais pelo Império Romano, tudo isso tendo sido ajudado pela atividade comercial, pelas estradas e pela paz romanas, que abriu o caminho para a fé credulária dita cristã. Nos apóstolos, o falso cristianismo era judaico, em Paulo se tornou grego pela metade e no catolicismo se fez romano pela outra metade. Séculos mais tarde, por ocasião do protestantismo, o elemento judaico e a ênfase foram restaurados.

Após o período dos apóstolos e de Paulo, os falsos cristãos passaram a se reunir em recintos privados ou em pequenas capelas e se organizavam segundo o modelo da sinagoga. A congregação recebia o nome de ecclesia, que era a palavra grega para as reuniões do governo municipal. Os escravos eram bem vindos, como nos cultos de Ísis e de Mitras, mas não se fazia qualquer tentativa no sentido de libertá-los, apenas os reconfortavam com a promessa de um reino dos céus em que lá seriam finalmente livres. Entre os primeiros conversos predominavam os proletários, com alguns elementos das classes médias e um ou outro da classe alta, estando assim muito longe de serem esses elementos a “escória da sociedade”, como afirmava Celso, já que a maior parte vivia industriosamente, financiavam as missões e levantavam fundos para as comunidades mais pobres. Pouco esforço se fazia para conquistar a gente dos campos, por isso a população rural veio por último, vindo daí o nome de pagani, tal como sendo aldeãos ou camponeses, que começou a ser aplicado aos habitantes dos Estados mediterrâneos que eram anteriores aos falsos cristãos.

As congregações admitiam as mulheres e as encarregavam de pequenos papéis, mas a Igreja exigia que elas envergonhassem os pagãos com os exemplos das suas vidas de modesta submissão e recolhimento. Tinham de comparecer aos serviços credulários com a cabeça coberta por um véu, porque os seus cabelos eram considerados extremamente sedutores e capazes de distrair até aos anjos, pelo que São Jerônimo desejava que elas o cortassem completamente. Também evitavam cosméticos e joias, e, sobretudo, cabelos postiços, porque a bênção do padre caindo sobre os cabelos de um morto colocado sobre os de um vivo, trazia confusão, pois não poderia se saber qual dos dois estava abençoando. Já antes disso, Paulo dava severas instruções a respeito, quando dizia o seguinte:

As mulheres devem se conservar quietas na igreja, ocupando lugares discretos. Se querem saber de qualquer coisa, que perguntem aos maridos em casa, porque é feio para uma mulher falar na igreja. Um homem não deve trazer nada na cabeça, porque ele é a imagem de Deus e reflete a glória de Deus, enquanto a mulher é um reflexo da glória do homem. Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher do homem; e o homem não foi criado para a mulher e sim a mulher para o homem. Por isso a mulher deve usar na cabeça qualquer coisa que simbolize sujeição”.

Mas esses pensamentos acerca da mulher eram mais de naturezas judaica e grega, e nunca foram romanos. No entanto, apesar da falta de perfumes e joias, e com o uso dos véus, mesmo assim as mulheres ditas cristãs conseguiram se mostrar atraentes e exercer a sua velha atração sobre o homem. Para as solteiras e viúvas haviam muitas tarefas na igreja, com elas sendo organizadas como “irmãs”, entregando-se aos serviços de administração ou caridade, dando origem a várias ordens de freiras, cuja dedicação das mulheres representa uma vitória do falso cristianismo.

Tendo se apropriado indevidamente do nome de Jesus, o Cristo, e tendo pregado os seus próprios pensamentos como se eles fossem os do Nazareno, já que ele nunca pregou a salvação e nem a condenação eterna, a não ser que a salvação se referisse à extinção desta nossa civilização, assim como muitas já foram extintas e obliteradas da face da Terra, e que a elas ele se referiu quando encarnado como Platão, aí sim, podemos considerar o pensamento da salvação. Pois bem, a pregação desses pensamentos, sendo tomados em seu conjunto, representava o credo mais atraente de todos os tempos, pois nenhum outro ainda surgira em nossa humanidade se utilizando de uma figura tão atraente como fôra Jesus, o Cristo.

Esse novo credo não se limitava a uma só nação, como o judaísmo, e nem somente aos homens livres, como os cultos oficiais da Grécia e de Roma. Ele proclamava a todos os seres humanos à sua conversão, fazendo-os herdeiros da vitória de Jesus, o Cristo, sobre a morte, anunciando a igualdade fundamental entre todos os homens, e fez com que as diferenças sociais não passassem de provações terrenas e temporárias. Para os miseráveis, aleijados, aflitos, desalentados e humilhados trouxe a nova virtude da compaixão, tornando-os dignos aos olhos dos que exerciam a compaixão. Com base no drama vivido por Jesus, o Cristo, estimulou a vida com a esperança do advento do reino dos céus e a felicidade eterna além-túmulo. Mesmo aos maiores pecadores prometeu o perdão e as suas plenas admissões na comunidade dos salvos. Aos que se encontravam embaraçados com os insolúveis problemas da origem e do destino das almas, do bem e do mal, problemas que ainda hoje afetam a quase todos os seres humanos, ofereceu um corpo de doutrina tida como sendo divinamente revelada, dando uma espécie de refrigério às almas mais singelas. Aos homens e mulheres escravizados pela pobreza e pelo árduo trabalho lhes deu os sacramentos e a missa, sendo este um ritual inútil e improfícuo, mas que se consagrou perante a todos os falsos cristãos como sendo um dos maiores acontecimentos em suas vidas baseadas na fé credulária.

Estando assim moldada às necessidades humanas, a nova fé credulária se espalhou com bastante rapidez por todas as regiões, com quase todos os conversos se tornando os seus inflamados propagandistas. As estradas, os rios, as rotas e as facilidades do tráfego do Império Romano foram determinando as linhas de penetração do falso cristianismo. Ao leste de Jerusalém, para Damasco, Edessa, Dura, Selêucia e Ctesifon; ao sul, para a Arábia, através de Bostra e Petra; ao oeste, para o Egito, através da Síria; para Corinto e Tessalônica, através do Egeu, de Éfeso e da Troade; para Brundísio, através do Adriático; para Puteoli e Roma, por cima de Sila e Carabdes; ao norte da África, através da Sicília; para a Espanha e a Gália, por cima do Mediterrâneo e dos Alpes. E assim, de maneira lenta, mas progressiva, a cruz, o símbolo do falso cristianismo, ia abrindo o caminho por todos os recantos para a supremacia do credo católico sobre todos os demais credos do mundo.

Nos primeiros séculos, a Ásia Menor foi o reduto do falso cristianismo. Por volta do ano 300 a maior parte da população de Éfeso e Esmirna era considerada como se fosse cristã. A nova fé credulária foi também bem acolhida no norte da África, com Cartago e Hipo se tornando importantes centros de ensino e também da controvérsia dita cristã, pois foi de lá que saíram os grandes padres da Igreja, como Tertuliano, Cipriano e Agostinho, sendo por intermédio deles que os primeiros textos da missa e a primeira tradução latina da Bíblia tomaram forma.

Lá pelos fins do século III e começos do século IV a comunidade dita cristã em Roma já ultrapassava aos cem mil membros, com plenas condições de ajudar financeiramente a outras congregações, por isso os falsos cristãos de Roma reclamaram durante um longo tempo a suprema autoridade da Igreja para os seus bispos. Por essa época, quase a metade da população do Oriente Helenístico já se tinha falsamente cristianizado, com o mesmo acontecendo com uma parcela significativa do Ocidente. Entusiasmado com a avalanche de adesões ao novo credo, Tertuliano se expressa da seguinte maneira:

Os homens proclamam que nós estamos bloqueando o Estado. Pessoas de todas as idades, condições e posição social se dirigem para nós. Somos de ontem, mas já enchemos o mundo”.

É óbvio que em uma multidão de centros de falsos cristianismos, relativamente autônomos e sujeitos a diferentes tradições e ambientes, não se desenvolvesse uma variação de credos e costumes. Inserido nesse contexto estava o falso cristianismo grego, o qual estava destinado a se encher de heresias em virtude de o grego ainda conter as reminiscências do seu espírito crítico. No entanto, essas heresias foram salutares para o falso cristianismo, uma vez que a doutrina do novo credo somente pôde ser bem compreendida à luz dessas heresias, porque à medida que as ia suprimindo, também ia tomando a sua cor e a sua forma.

Muitos foram os defensores da nova fé credulária, tais como os primeiros padres post-apostólicos que deram uma doutrina ao falso cristianismo, como Inácio, bispo de Antioquia, Tertuliano e Cipriano, de Cartago, Clemente e Orígenes, de Alexandria. Por fim, a Igreja conseguiu estabelecer uma Escritura padrão, a fixação da sua doutrina e a organização da sua autoridade. Assim, ela foi aumentado gradualmente o seu poder. A riqueza de que já dispunha e as suas caridades ecumênicas lhe exaltavam o prestígio, e de todas as partes do mundo dito cristão lhe vinham consultas sobre pontos de importância, com a igreja de Roma tomando para si o repúdio e o combate das heresias e a fixação canônica das Escrituras, passando assim a construir e a governar, enquanto as outras falavam e escreviam.

O grande legado que Roma deu à Igreja foi uma vasta estrutura de governo, que quando a autoridade secular desabou veio a se tornar a estrutura do governo eclesiástico, com os bispos assumindo os lugares dos prefeitos como os centros do poder para impor a ordem e a disciplina, com os arcebispos assumindo os lugares dos governadores provinciais, e com o sínodo dos bispos sucedendo a assembleia provincial. Roma foi desabando ao dar nascimento à Igreja, e esta foi se erguendo ao assumir as responsabilidades de Roma.

De início o conflito entre Roma e a Igreja era profundo, pois a cultura romana era baseada no Estado, enquanto que a cultura da Igreja era baseada na fé credulária, já que para o falso cristão a fé credulária era qualquer coisa à parte e superior à política, com o extremo da lealdade sendo dedicado a Jesus, que ele o tinha como sendo o seu salvador, portanto, sem qualquer noção acerca do Cristo, e não a César.

Mas com a subida de Constantino ao poder, aos poucos ele passou a favorecer mais abertamente ao falso cristianismo, à medida que o seu poder ia se consolidando cada vez mais no trono, o que se comprova através das moedas que foram se descartando dos símbolos cristãos e sendo substituídas por inscrições neutras, a partir do ano 317. Um texto legal do seu reinado atribui aos bispos ditos cristãos a autoridade de juízes nas dioceses. Outras leis isentavam a Igreja de todas as taxações no Império, davam personalidade jurídica às associações ditas cristãs, permitiam-lhes possuir terras, receber legados e lhes destinavam as propriedades dos mártires sem testamento. E como se isso não bastasse, ele auxiliou com dinheiro as congregações necessitadas, construiu diversas igrejas em Constantinopla e em outros pontos e também proibiu na nova capital a adoração de imagens pagãs, assim como também as reuniões das seitas heréticas e, por fim, ordenou a destruição dos seus conventículos. Deu aos seus filhos uma educação dita cristã ortodoxa e financiou as caridades ditas cristãs da sua mãe. Com a plena consolidação do poder, Constantino se declarou cristão, obviamente que falso cristão, e proclamou a todos os seus súditos que abraçassem a nova fé credulária.

Todos os partidários da nova fé credulária se reuniam em festas de graças pelo triunfo obtido por Jesus, o Cristo, sem saberem que o seu triunfo somente se realizou com a fundação do Racionalismo Cristão, que possibilitou o esclarecimento e a espiritualização da nossa humanidade, por intermédio do estabelecimento do instituto do Cristo em nosso meio, agora confirmado com a explanação que ora se verifica, para o bem e o progresso de todos os seres.

Como cessara de ser apenas um agrupamento de devotos e se tornara uma instituição que governava milhões de seres humanos, a Igreja começou a adotar um ponto de vista mais complacente para com a fragilidade humana e a tolerar os prazeres do mundo. Foi, então, logo a partir do seu início, que a Igreja começou a participar dos prazeres mundanos, com as orgias sendo praticadas em todos os seus setores, tendo se intensificado mais acentuadamente no próprio Vaticano, séculos depois.

No entanto, uma minoria de falsos cristãos considerou tal condescendência uma traição a Jesus, o Cristo, e resolveu ganhar o reino dos céus levando uma vida de pobreza, de castidade e de orações, isolando-se completamente do mundo. O monasticismo era para muitas almas um refúgio para o caos que se havia instalado com a invasão dos bárbaros, que veremos no tópico subsequente. Mas surgiu entre os anacoretas uma forte rivalidade, com uns querendo sobrepujar os outros em suas mortificações ascéticas. Com relação ao fato, o abade Duchesne diz que “Macário, de Alexandria, não podia ouvir falar sobre um grande feito no ascetismo sem que deixasse de procurar excedê-lo”. Mas mesmo assim, alguns monges conseguiram excedê-lo em feitos de vida solitária, como é o caso de Serapião, que morava em uma caverna, no fundo de um abismo, aonde poucos eram os peregrinos que lá ousavam ir, sendo que antes havia vivido no meio aristocrático de Roma. Quanta ignorância, meu Deus!

Mas esse acentuado orgulho por exercer uma humildade exacerbada, fora dos padrões estabelecidos pelo bom senso, que levava a uma ambição tida como se fosse espiritual na renúncia, levava a um sensualismo oculto ao fugirem os monges da mulher e do mundo, do qual se aproveitavam os espíritos quedados no astral inferior para atormentar as vidas daqueles que tinham uma mediunidade mais acentuada, cujos ambientes eram propícios para as suas ações maléficas.

Os registros históricos desses ascetas estão repletos de sonhos e visões sensuais, que narram ressoar em suas celas os gemidos provocados pelas suas lutas contra as tentações consideradas como se fossem imaginárias, todas provenientes dos pensamentos eróticos. Sendo todos eles ignorantes da existência dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, passavam a acreditar que o ar estava infestado de demônios que os perseguiam. Por isso, não era raro se ver um deles enlouquecer.

Rufino nos conta o fato de uma bela jovem ter entrado na cela de um jovem monge, o qual sucumbiu aos seus encantos, para logo depois ela desaparecer no ar, sendo ela nada mais nada menos do que um espírito obsessor quedado no astral inferior que tomou essa forma, o que fez com que o jovem monge corresse desvairadamente até a aldeia mais próxima e se atirasse em uma fornalha para banhos públicos, a fim de abrandar o fogo que o devorava por dentro.

Em outro caso idêntico, uma bela jovem pediu licença para entrar na cela de um monge, alegando que estava sendo perseguida por animais ferozes, como se no monastério tivesse esse tipo de animais. O monge então consentiu que ali ela ficasse por alguns instantes. Porém, aconteceu que ela o acariciou sensualmente e ele se viu completamente tomado pela chama do desejo, que se encontrava acumulado por todos aqueles anos de reclusão. E de imediato, estando tomado pelo desejo, ele tentou apertar a jovem em seus braços, mas como ela era um espírito obsessor quedado no astral inferior, logo desapareceu, deixando-o a apertar o próprio ar. Esse espírito foi se juntar aos demais que integravam a sua falange, exultando-se com os demais com a fraqueza da vítima e com o ludíbrio que realizaram, soltando grandes gargalhadas. Diz Rufino que esse monge não pôde mais suportar a vida monástica, abandonando a cela e mergulhando na vida da cidade, em perseguição à visão, até que finalmente foi para o inferno.

Conquanto já estivesse bem organizada, a Igreja, pelo menos em princípio, não tinha nenhum controle sobre os monges, os quais raramente se ordenavam. Contudo, julgava-se responsável pelos seus excessos, já que ela também partilhava da glória dos seus feitos. Mas como muitos monges deixavam as suas celas ou mosteiros quando bem entendiam e importunavam a população pedindo esmolas, às vezes indo de cidade em cidade pregando o ascetismo, outras vezes vendendo relíquias ou licores, implantavam o terror nos sínodos, incitando as pessoas mais impressionáveis a destruir os templos ou as estátuas pagãs, e até mesmo a assassinar um veritólogo ou um saperólogo, como se deu com o caso da estudiosa Hipátia. Em 451, o Concílio de Calcedônia ordenou que se fizesse um estudo na admissão de pessoas que quisessem tomar os votos monásticos, observando com atenção, prudência e cautela os candidatos, cujas decisões seriam irrevogáveis, e que ninguém organizasse um mosteiro ou o deixasse sem a permissão do bispo da diocese.

Em 400, o falso cristianismo já se achava quase triunfante no Oriente. Os nativos cristãos ou coptas — que é a forma europeizada da palavra kibt, a qual é a alteração da palavra grega aigyptos, egípcio —, no Egito, já constituíam a maioria da população e sustentavam centenas de igrejas e mosteiros. Noventa bispos egípcios reconheciam a autoridade do patriarca de Alexandria, cujo poder quase rivalizava com o dos faraós e os Ptolomeus.

Nesses séculos iniciais após a vinda de Jesus, o Cristo, a Igreja não julgou como sendo a sua função promover o desenvolvimento intelectual dos homens, pois para ela a fé credulária estava acima da inteligência, por isso o falso cristianismo se posicionou como uma reação contra os clássicos que tentavam se apoiar na razão. Assim, convencida de que para sobreviver se tornava necessário se organizar e que para se organizar seria preciso se apoiar em princípios e crenças basilares, pois a maioria dos seus adeptos ansiava por crenças firmemente estabelecidas, ela então definiu o seu credo com dogmas imutáveis, tachou a dúvida de pecado e com isso entrou em uma luta interminável com a inteligência e as ideias evolucionistas dos homens que ansiavam por estabelecer a racionalidade neste mundo.

Ao estabelecer o seu credo, a Igreja afirmou que, pela revelação divina, havia encontrado as respostas aos velhos problemas que diziam respeito à origem e ao destino do mundo, assim como também, vejam só que disparate, da natureza. Em 307, Lactâncio escreveu o seguinte:

Nós, que recebemos da Sagrada Escritura, os ensinamentos sobre a verdade, somos os que conhecemos a origem e o fim do mundo”.

Tendo desviado indevidamente deste mundo visível para o mundo invisível a preocupação do homem, o falso cristianismo oferecia explicações sobrenaturais para os acontecimentos históricos, desencorajando assim quaisquer investigações sobre as causas naturais, com muitos progressos alcançados pelas religiões e ciências gregas em muitos séculos sendo sacrificados em prol da cosmologia e da biologia encontradas no Gênese.

As causas básicas do retrocesso cultural encontrado no período de A Idade da Fé foram a formação e o desenvolvimento do falso cristianismo, assim como também a invasão dos bárbaros e o início da formação da Europa, e não as guerras como assim consideram os historiadores, pois elas sempre existiram no seio da nossa humanidade, com as nações sempre em busca das conquistas territoriais e das riquezas das outras nações.

 

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